berro

Jumentina

Naquela manhã de primavera ainda fresca, Teolindo aparelhou a sua burra e chamou o seu filho Artur para o acompanhar na sua ida às Aveleiras. Era lá no planalto, onde corria uma barroca no meio de um largo campo de cultivo de milho e hortícolas, ladeado de vinhas nas extremidades dos lameiros. Iniciaram a sua longa subida por um caminho pedregoso. A jumentinha de orelhas empinadas lá foi subindo a custo, carregando o Teolindo, enquanto o Artur, de vez em quando, se agarrava ao rabo da jumenta.

A meio da subida a jumenta começou a tropeçar e a descair as orelhas. E, passado pouco tempo, estacou e negou-se a continuar. Teolindo estranhou o seu comportamento e, depois de alguma insistência, acabou por desistir. Desceu, colocou a corda da cabeçada por cima do pescoço da burra e continuo a pé. A jumentinha deu meia volta e, um pouco titubeante, iniciou o regresso a casa.

O dia já ia avançado quando Teolindo e o filho acabaram de inspeccionar os seus cultivos no lameiro bem perto da capela da senhora das Aveleiras. Uma limpeza de ervas daninhas, verificação do estado das plantas semeadas e sachola ao ombro, porque o almoço já estava à espera.

Chegados a casa, a primeira preocupação foi saber o que se passara com a jumentinha. Para seu grande desalento, o seu pior pressentimento tinha acontecido. A jumentinha estava estirada na sua loja onde tinha morrido, depois de uma já longa vida de trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

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