O Ginja andava com as moedas de D. Carlos e Três Vintes na mão e os pinos na outra. Estava desejoso de arranjar parceiro para uma partida de pino, ou malha como se diz noutros locais. Eram já 5 h da tarde de domingo soalheiro de outono.

Passou o Macio que de bons modos não se mostrou interessado. O Mascarinhas já velho e batido achou que também não o conseguiria vencer e deu a desculpa de que tinha de passar pela horta das Aveleiras. Apareceu o Galarão, um jovem um pouco coxo, mas desembaraçado. Não era mau nem bom no pino, mas aceitou o desafio. Estava em jogo um maço de cigarros Paris e, embora não fosse fumador, sempre o podia trocar por algo mais útil para si. Juntaram-se algumas pessoas e o jogo começou.
Os assistentes oram aplaudiam, ora zombavam ora lançavam os mais variados comentários e impropérios. Ora com o derrube do pino, ora com pontos por ficar mais perto, o Galarão venceu quatro dos cinco jogos. O Ginja contrafeito lá lhe deu o maço de tabaco. Este meteu-o bolso e foi para casa.
Passados poucos dias, foi chamado pela mãe furiosa e, sem esperar, levou uma grande descompostura. Ela tinha encontrado nos seus bolsos o maço de tabaco de que ele se tinha esquecido.